E a Páscoa chegou

O ano, para mim, parece estar em uma maratona. Correndo, correndo, correndo. Eu pediria para que ele reduzisse o passo. Tomara que ele me escute, mas o fato é que mais uma vez a festa dos coelhinhos chegou. Quase chego a me perguntar internamente: e daí? E daí que a Páscoa chegou? Aqui em casa há muito tempo o brilho das datas festivas diminuiu. Não digo que se extinguiu, porque sempre há uma pontinha de esperança. Já fomos mais felizes. Quando eu era criança, então, e não entendia esse mundo estúpido de gente grande. Que tempo bom. Hoje tudo mudou. Não é fácil manter-se positiva convivendo com mais gritos do que palavras de apoio, mais lágrimas do que sorrisos, mais tristeza do que alegria. É muito difícil, aliás. Às vezes, dá uma vontade de se deixar levar pela preguiça de viver e pelo medo de enfrentar os problemas e mandar tudo a merda. Dependendo o dia, a atmosfera parece estar pesada e sombria, mesmo que as janelas estejam abertas e a brisa fresca passeie pela casa. Os abraços de felicitações nunca foram tão rápidos e um tanto estranhos, mas a verdade é que todos gostariam de um abraço forte, reconfortante, animador. Um abraço de amor. As máscaras escondem toda essa fraqueza.
Talvez a Páscoa ainda valha a pena, talvez ainda tenha um significado que realmente importe. É mais uma chance de renovar-nos. Mais uma chance de nos reunirmos e vermos que estamos juntos, para o que der e vier. Eu continuo, reunindo cada pedacinho de força que tenho dentro de mim, porque eu sei que elas, as mulheres da minha vida, estão fazendo um esforço enorme para não caírem no buraco negro. Assim como eu. Eu continuo, porque sei que ainda a vida vai ser mais fácil, mais cheia de cor.

E mais uma vez eu te queria por perto.


Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas