Esquisitices

Não sei ao certo o porquê. Nos últimos anos isso vem se agravando. Tenho uma espécie de "fobia" com erros de português. Dá um treco em mim. Sobe um calor, uma inquietação, dá vontade de sair correndo e corrigir aquela letra a mais, aquela falta de pontuação, aquele erro grotesco. Sinto pena do português, assassinam o pobrezinho sem dó nem piedade. Caso cometo algum engano (a língua portuguesa classifica-se como hard, vamos ser sinceros) fico me culpando até revertê-lo. Besteira, talvez. Insanidade, quem sabe.
A verdade é que sou louca pela crase. Ela é tão sexy... Deixa tudo mais sofisticado. Não serve para qualquer um e aparece só em ocasiões especiais. É aquele toque especial que faz toda a diferença. Tenho também uma queda pela vírgula. Ela coloca tudo no seu devido lugar, como deve ser. Certo dia ouvi de uma professora que quando ela aparece é chegada a hora de "respirar", para depois continuar, se não já viu, afobação geral. Nunca mais esqueci. Quantas vírgulas fazem parte da minha vida, quantas vezes precisei respirar fundo e seguir em frente, porque ainda o desafio era grande. Ou então separar de um lado o que não me faz bem e do outro o que me faz bem. Às vezes sofre com o desprezo de alguns. Já as reticências não são nem de longe minhas preferidas. Parece-me sempre que a pessoa não teve coragem suficiente para escrever o que pretendia e então colocou as reticências para ver se eu capto a mensagem oculta. É claro que eu não vou me tocar, quase não entendo diretas, que dirão indiretas. Chega dessas reticências que me fazem pensar mil e umas mirabolâncias. Se quiser usar, então usa direito. Não quero desvios, prefiro o ponto final. Mesmo que seja para o pior, prefiro o ponto final. Já o ponto de interrogação é legal. Perguntas sempre são cool, fazem a gente pensar e conhecer e estudar. O de exclamação é divertido, lembra-me risadas e alegria. Em demasia, entretanto, são irritantes e muitas vezes irreais.
O fato é que eu gosto do português, quase certo pelo fato de eu gostar de escrever e me sentir à vontade em meios às palavras e tudo mais. Ele tem palavras tão lindas... O inglês é muito legal, mas não adianta, a língua portuguesa será sempre minha língua mãe. Aquela que acolhe, sabe? Acolhe minhas alegrias, minhas dores, meus medos, minha vida.

Nunca disse que eu era normal. Aliás, cada dia me descubro mais insana. Melhor tomar cuidado comigo mesma.

Comentários

  1. Se essa coisa tua não for normal, venho te consolar dizendo que não absolutamente não estás só. Também sou exatamente assim. Igualmente adoro a crase e a pontuação em geral, e também fico pasmo com tanto maltrato. Sobretudo no meio jurídico, em que trabalho, a coisa é muito feia, minha amiga! Apenas discordo de ti quanto às reticências. Gosto delas, confesso, e as uso amiúde. Ah! E não me conformo com o fim do trema! Meu inconformismo é tal a respeito que tenho estado inclinado a continuar a usá-lo, numa espécie de dissidência...! O que acha?
    GK

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  2. Oi GK!
    Pois é, a trema é super legal mesmo. Como eu estava ainda no colégio quando surgiram as modificações no português, já me adaptei às novas regras. Não sinto tanta falta dela. Quanto ao fato de você continuar a usá-la, acho que não seria ruim. Funcionaria como um 'protesto' a essas mudanças, não é? Continue a usá-la e depois veja o que acontece... Hehehe
    Beijos!

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