365 dias depois

Um ano se passou desde que eu criei o Multicromática. Tanta coisa mudou. Tanta coisa permanece igual.  Sou a mesma, mas muito diferente. A verdade é que eu quase não me reconheço mais. Assusta olhar para dentro e ver tantos anjinhos e diabinhos morando ali, os quais nunca passaram pela minha mente (sempre ela omitindo) que poderiam fazer uma casinha por entre os meus ventrículos e ali permanecer na boa, não fosse a gente cutucá-los.
Amém, aleluia irmãos! Livrei-me daquelas aulas que me davam enjoos e fui para as que me fazem flutuar. O semestre "novo" acabou e eu nem senti. Os resquícios daquele tempo sombrio ainda rondam... Eu ainda me cobro pelo tempo perdido. Ai senhor, manda embora essa culpa que insiste em me perseguir. 
Mas agora os questionamentos são outros. Sempre me achei uma insensível de primeira linha, sem coração, sem sensibilidade. Fria. Não chorava, eca! Mas que boba, estava eu muito enganada. Como a gente se engana com nós mesmos. Sou mais emoção do que jamais pensei, arrisco dizer que sinto demais. Outra falcatrua com euzinha aqui: jurava que não me cobrava, não me culpava. Isso só acontece com os outros. Eu estou imune. Comigo está t-u-d-o bem. Pois bem, mais algumas sessões de terapia cognitiva-comportamental e eu descubro que me cobro, me penalizo, me culpo. A lot, aos montes, em demasia. Por quase tudo. Falo e me culpo. Penso e me culpo. A toda hora. Como eu não queria sofrer disso. Poderia parar, assim de repente, não é? Ok, sei que é difícil. Mas diminuir esse martírio diário eu consigo. Tenho que conseguir. 
É tanta coisa nova que chega a ser quase uma confusão em mim. Sou tremendamente insegura. E eu que pensei que fosse fácil consertar isso. Como assim, meu deus? Eu não acredito o suficiente em mim. Eu acredito, só de leve. Tanta gente se achando sendo na verdade pouco e nada e eu aqui, precisando me achar mais.
Eu sinto raiva de quem não deveria sentir. Sinto culpa por sentir raiva de quem não deveria sentir. Fico estressada por sentir raiva e culpa e ai meu deus, que grande merda tudo isso. Fazia muito tempo que eu não ficava tão estressada como esses dias. Por diós. Respira, Pri. Respira que acertar o ponto da embreagem e soltá-la devagar é a tarefa mais fácil que tu tens pela frente.
Ai, meu deus. Loucura, loucura, loucura.
Eu me descobri tanto que deu até medo. Medo de mim. Sim, porque todo mundo já sentiu medo de si próprio.
Eu não sei o que vem pela frente. Mas venha, estou de braços abertos para me abraçar e me acolher. E me amar.


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