Amém

A lua está cheia desde segunda-feira e eu só percebi ontem à noite, ao final da aula. Perdi uma noite do seu ciclo, um baita desperdício. Estava chovendo, deve ter sido por isso que ela passou despercebida pelos meus olhos. Para mim, em noite de lua cheia deveria ser obrigatório namorar ou fazer alguma coisa tão boa quanto. Ela é tão mágica, tão louca, tão uau. Enquanto a admirava, surgiu a vontade: fazer um pedido para ela. Pedir a ela que me abençoasse, a mim e a ele, a mim e as pessoas que levo no coração. Depois de ter feito o pedido, ali, pela janela do ônibus, perguntei-me se ela teria mesmo esse "poder". Um segundo depois pensei: claro que sim, toda obra de Deus é oração, toda obra de Deus é amor. Deus é a vida. 
Não lembro ao certo, mas acredito que até uns três anos atrás, eu rezava toda noite antes de dormir, sem falta. Se por acaso eu esquecia ou adormecia antes de juntar as mãos e declamar baixinho uma das três mais famosas orações, eu me sentia culpada no dia seguinte. Não poderia ter esquecido. Quanto à Ave Maria, eu curtia, mas passava correndo pela parte que falava "na hora de nossa morte", sempre achei exageradamente triste e um arrepio percorria o meu corpo toda vez que chegava a hora dessa frase. A prece do Pai Nosso nunca foi a minha preferida. Sei lá, acho que me parece masculino demais, tenso demais. Sempre gostei daquela do Santo Anjo, talvez por adorar a ideia (e realidade, para mim) de que um anjinho da guarda está sempre me protegendo e também cuidando de quem eu gosto. É bom, é reconfortante. Hoje em dia, quando quero, recorro só a ele. 
Quando ia à missa, ficava braba comigo mesma por ter deixado meus pensamentos viajarem para outro local e perder parte do discurso do padre. Realmente me esforçava para entender o que ele falava, captar a mensagem que ele queria transmitir. Raramente eu conseguia. Achava que morder a hóstia era pecado, ela deveria se dissolver na minha boca sem eu precisar "dar um empurrãozinho" com a língua ou os dentes. Hoje, nas raras vezes em que preciso ir à missa, durante o tempo todo me divido entre divagar por assuntos do meu interesse ou ouvir o que o padre fala, de propósito, para logo virar para a minha irmã e falar que aquilo está errado, que aquele padre está viajando. Quase sempre é revoltante, mas às vezes chega a ser divertido. Sem falar que não podemos abrir a boca ou rir, que já vem alguém nos olhar com aquela cara feia, exclamando mentalmente: "Calem a boca, suas mal-educadas!". Realmente, tudo muito triste.
O Osho me fez enxergar e me ensinou que rezar é amar. Ame que você estará rezando sempre, em toda hora e todo lugar. Sorrir, abraçar, fazer o bem a mim e as outras pessoas, me divertir, fazer amor, olhar uma flor e sentir o seu perfume, dizer "olá" para um cachorrinho e fazer um carinho nele, comer desfrutando calmamente o gosto e o aroma da refeição, enfim, tudo o que é feito do coração é a mais verdadeira forma de oração que existe. Duvido uma única pessoa rezar de verdade quando vai à missa, dentro daquele templo de concreto frio e sombrio, munido de uma expressão séria.
Hoje, quando quero falar com Deus, olho para o céu e começo a conversar com ele. Muito melhor do que olhar para o teto do meu quarto, mesmo sabendo que posso falar com ele em qualquer lugar que eu esteja. Se o céu está azul, ele está me ouvindo. Se o céu está cinza, ele também está me ouvindo. Falo aquilo que eu quero, aquilo que estou sentindo, não o que me ensinaram e eu nem entendi direito o que aquelas palavras da Salve Rainha significam. A sinceridade será sempre uma oração.

Seguindo o meu coração, estarei rezando aonde quer que eu vá.

Comentários

  1. Perfeito, Pri! Oração é rendição ao coração.
    GK

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    1. Obrigada, GK! Exatamente, é escutá-lo de verdade.
      Beijos,
      Pri

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