(In)Sanidade


Eu preciso de mais segundos de insanidade sana. Ou de sanidade insana. Dá na mesma, whatever. Meu ser tem sede de mais segundos de coragem. Mas não é qualquer coragem. É aquela coragem louca que parece afastar todo o meu medo. Manda ele para muito longe, quase faz parecer que ele nunca esteve dentro de mim. São instantes preciosos. Preciso aproveitá-los ao máximo. Do jeito que eu sou, se eu não aproveitar esses décimos, centésimos e milésimos de segundos, nunca mais digo o que eu queria dizer, faço o que eu queria fazer, sinto o que eu queria sentir. Eu deixo para lá, deixo para o próximo momento de frenesi libertador. Só que às vezes isso pode demorar bem mais do que a minha vida gostaria...
Parece que a mente desliga, que só o coração me guia naquele momento. Nada mais importa, o relógio continua a andar, mas eu já não me importo, já não presto atenção. Só a vontade que cresce e cresce, vontade de arriscar e ver o que vai dar. É nessas horas que eu ajo, é nessas horas que eu me mexo, é nessas horas que não tem jeito de eu ficar parada. Eu sei bem, e aqueles que estão próximos também, da minha dificuldade de realmente chutar o balde, sem me preocupar com o estrago que a água que cairá dele pode fazer no que estiver ao redor. Devagar, lentamente, eu vou melhorando, tomando coragem. O empurrãozinho, porém, parece ainda essencial, quase vital. Quase sempre vem dos outros, mas aos poucos começa a vir de mim. A passos lentos, mas começa.  
Um segundo de uma loucura límpida e eu pedi demissão do emprego que me dava dinheiro, mas me tirava a inspiração. Um segundo de uma lucidez ensolarada e eu decidi trocar de curso da faculdade e dar um novo sentido a minha existência e uma chance ao meu talento. Um segundo de um blackout nos conselhos da razão e eu apertei o enter e enviei o e-mail, com um sorriso no rosto e o coração disparado. Um segundo de uma coragem perfumada e eu coloquei aquela carta no correio, sabendo que agora não havia mais jeito de voltar atrás. Um segundo de iluminação e eu mudei a minha vida.
E se eu tivesse ficado parada? E se eu tivesse ignorado essa combustão que se forma em mim nesses momentos a ponto de eu explodir se não colocar para fora e fazer o que tem de ser feito? E se eu tivesse dado bola só para a razão? Sinceramente, não quero nem saber o que teria acontecido. Tenho medo. Só sei que não adianta pensar e não agir, Pri. Não adianta pensar em fazer, mas não fazer e depois se arrepender. Acho que eu estou começando a gostar desse negócio de arriscar... Vamos ver no que vai dá.

Talvez esses segundos, no fundo, se traduzam em atitudes. E é delas que a vida é feita.

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