Crise dos 22

Eu não sei se é mais uma crise de existência me assombrando. Eu não sei se são os anúncios infinitos de cremes com colágenos que aparecem nas revistas, nos jornais, na televisão. Eu não sei se é simplesmente o medo ressurgindo mais forte das cinzas da minha alma. Eu não sei se é mais um dos reflexos do meu complexo de inferioridade. Eu não sei se é a lua do meu signo que está em uma posição desconfortável diante do meu ascendente. Ou se é o condicionamento dessa sociedade medíocre que está me atormentando. Eu não sei. Eu só sei que eu entrei em paranoia depois de fazer 22 anos, há pouco mais de um mês. 
Sério. Eu penso nisso muito mais do que eu deveria pensar. Mando meu cérebro desligar esse pensamento, mas ele volta. E então eu penso de novo, e de novo e de novo. Penso que eu já estou com 22 anos. O número é bonito, mas não passa disso. Eu sei. Sei que é tão ridículo que eu chego a ter vergonha de contar. E de sentir isso. Eu queria poder contar só para a minha psicóloga. Ela me ouviria e eu não precisaria me expor. Só que as circunstâncias não me deixam. O jeito é recorrer às palavras, ao alívio de jorrar letras e fonemas e hiatos e vírgulas e reticências para me sentir melhor. Ou para me sentir menos estranha, menos sozinha, menos incompreensível. Escrever também é para isso.
Eu tenho a sensação de que a minha vida está escorrendo pelas mãos e eu não estou aproveitando. Eu sinto um aperto no peito e parece que eu deixei o tempo passar e agora ele está correndo contra mim. Olho para o relógio e ele parece exclamar que o meu tempo está diminuindo. Ele está findando, vagarosamente, mas está. Uma voz grita dentro de mim, forte e alta, ecoando que eu fiz pouco, muito pouco, quase nada e agora já estou na casa dos 22 anos. Mais oito e eu chego aos trinta anos. Meu deus, meu deus, meu deus. Por que diabos essa sensação está se apoderando de mim? Go away, now, please!
Fico não querendo acreditar que o tempo está passando e que eu ainda tenho muito que fazer. Eu tenho medo que não dê tempo de viver e eu alcançar tudo o que está na minha lista imaginária de metas. Parece que eu não quero aceitar o fato de que estou crescendo. A verdade é que eu não quero virar adulta, não quero deixar de ser jovem. Parece que com 21 eu era mais moleca, mais criança, mais adolescente. Não quero deixar toda a adolescência e a minha rebeldia tardia para trás. Desconfio que esse seja o ponto principal: minha rebeldia tardia. Eu demorei a ver que eu precisava gritar para ser ouvida, agora tenho medo de não poder mais fazer isso. Tenho medo de parecer ridícula ou de não ter mais forças. Não quero sair da roda da galera. Não quero o formal, prefiro o informal. 
O louco é que eu sei. Eu sei que eu recém comecei a viver e já estou pensando que se passou muito tempo. Guria, calma na alma: mal e mal passou 20 anos da tua história. Eu tenho uns 60 anos pela frente ainda (não é, anjinho da guarda?). Também sei e tenho plena consciência que fiz coisas e aprendi muito mais nessa minha pequena vida do que muita gente com 40 ou 50 anos de idade aprendeu ou fez. Várias vezes me pego pensando que se eu morresse amanhã a minha vida teria valido a pena ou não. A resposta que me vem à cabeça é que sim, ela teria valido à pena. Com certeza. Só que eu quero que ela valha muito mais à pena, que me deixe sem fôlego quando eu pensar por tudo o que eu passei.

Eu caio na contradição de que tenho pressa, mas gosto da calma. Quem me dera encontrar o equilíbrio.

Comentários

  1. Quando o adiante, por maior que seja, parece-nos insuficiente, eis um sintoma de que, pelo que queremos, temos feito pouco. Ou nada. Com paixão façamos pelo que sonhamos agora, e a eternidade acochegantemente sorrir-nos-á.
    GK

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  2. Corrigindo... "aconchegantemente".
    GK

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    1. Oi Gugu!
      É verdade... No fundo, sei que faço bem menos do que deveria e do que posso. O pior é a culpa por isso. :/
      Preciso colocar toda a minha paixão nos meus sonhos, toda!
      Beijos,
      Pri

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  3. Pri...
    Como sei, pelo que tu escreves, que tens um razoável conhecimento de inglês, vou te recomendar uma música... Ouça "Owner Of A Lonely Heart", do Yes! E ouça lendo a letra, tá? Tenho certeza de que te fará muito sentido!
    Bjs!
    GK

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    1. Adorei a dica, Gugu! =)
      Já baixei a música e fui num site ver a tradução para entendê-la melhor. É mesmo uma daquelas que te incitam a viver a vida do seu jeito, "Be yourself, give your free will a chance".
      Faz todo o sentido para mim mesmo...
      Beijos,
      Pri

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  4. Não permita que um ano se torne 365 minutos na sua vida.

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    1. Verdade Cainã...
      Preciso relaxar por que, contraditoriamente, quanto mais eu penso que preciso "agilizar", mais parece que isso me "trava", me tira a inspiração.
      O pior é que eu já sei disso, mas me deixo vencer pela ansiedade. :/
      Obrigada pelo comentário! Adorei mesmo!
      Beijos!
      Pri

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  5. Oi!
    Ahhh, não deve estar sendo fácil. É uma fase ruim, mas tenha certeza que vai passar e você vai sair mais forte dela! Toda crise existencial é uma oportunidade para nos autoconhecermos e irmos mais a fundo naquilo que realmente somos e desejamos ser.
    Boa sorte! E fique firme! Vai dar tudo certo!
    Obrigada pela visita e pelo comentário!
    Beijo! :)

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  6. Estou passando por essa fase, é realmente horrível. Me sinto tão inútil. Me isolo e choro com frequência. Preciso de um psicólogo. =(

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    1. Oi Thalita! Não é fácil, mesmo. :( Parece que nada faz sentido, né?
      Se fosse tiver condições de pagar uma psicóloga, vale o investimento. Elas conseguem enxergar coisas que nós não conseguimos e mostram as questões de outros ângulos. Além de dar aquela esperança quando estamos perdidas. Procure uma profissional que te passe confiança e invista na terapia. Não tenha vergonha de procurar ajuda. Todos nós temos os nossos medos, os nossos traumas e as nossas crises existenciais. Se a maioria das pessoas fizessem terapia, o mundo seria muito melhor...
      De qualquer forma, é um momento para respirar fundo e procurar se ouvir. O que está te fazendo mal? O que te faz bem que você não está fazendo?
      Pense em você. Foco em você!
      E, calma, vai passar. Acredite! É um momento de mudança e isso só demonstra que estamos em evolução.
      Fica bem! Um beijo! :)

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