Por uma legião de amor

     Cinco minutos antes da sessão começar, comprei os dois ingressos para assistir o filme brasileiro do momento. Depois de comprar uma pipoca média e me assustar com o preço pago por ela, minha irmã e eu rumamos à escuridão luminosa da sala de cinema. Sentamo-nos nos nosso lugares; só nos restaram poltronas baixas por conta de nosso quase atraso. Passadas a expectativa e a impaciência dos trailers, o longa Somos Tão Jovens enfim “tomava conta” do cinema quase lotado. 
O astral de Renato Russo começou a ser sentido já na abertura do longa. Cada nota da música Tempo Perdido parecia nos convidar a entrar no clima de paz, amor e muita revolta que o filme retraria a seguir. Arrepiar-me foi inevitável. Quando a trilha cessou, apareceu o adolescente (in)comum de Brasília no comando de sua bicicleta. Parecia não só pedalar, mas inspirar toda a vida que existia ao seu redor, desejando levá-la consigo. De repente, o garoto CDF cai. Meses na cama seriam necessários para ele se levantar novamente. Era mais um dos tantos desafios impelidos a ele por essa doce – e também amarga – vida. 
Intensidade talvez seja a palavra-chave da trajetória de Renato Russo; revelou-se portador de uma alma inquieta, mas não menos meiga. Esse jovem de espírito não se contentava com pouco, não vivia pouco. Repelia toda e qualquer forma de falsa segurança, afinal, na vida sempre vale a pena arriscar. O eterno ídolo dos anos 80 tinha a ânsia de mudar o mundo, tocando o coração das pessoas com as suas melodias. Ele possuía aquilo que hoje nos falta de uma maneira quase assustadora: ele exalava esperança. 
O vocalista da lendária e insubstituível Legião Urbana acreditava que nem tudo está perdido. Ele sabia que despertar o amor que existe em cada um de nós é a chave para dar um jeito nessa sociedade doentia que há tempos existe – e persiste. O música serve de inspiração tanto para mim, uma jovem universitária, como para meus pais e meus futuros filhos. Sua crença não tem idade, uma vez que ele acreditava no sonho, o qual é, por muitas vezes, tristemente desprezado. Mais do que isso, ele acreditava na realização daquilo que faz o nosso coração bater mais forte. Esta coragem é um dos segredos do seu sucesso, enormemente merecido. 
Renato Russo despertava o lado bom do ser humano, o filho da ditadura acreditava no futuro da nação. Suas canções ainda vivem entre nós pelo simples fato de que todos nós portamos essa mesma essência amorosa. Basta deixá-la florescer e mostrar o seu belo poder transformador. Sem dúvidas, será um belo espetáculo
Fonte: Googele

*Esta crônica foi realizada como uma atividade acadêmica na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

Comentários

  1. O filme é mesmo fantástico, não? Extremamente bem feito e tocante! Maravilhoso! Na cena final em que ele toca "Ainda é Cedo" e a garota chora, eu cheguei a ficar arrepiado! Quer um conselho? Assista, quando puder, o "Faroeste Caboclo"! É também surpreendentemente belo!
    GK
    Ps... Estou adorando te ver tão produtiva no "Multicromática"!

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    Respostas
    1. Aham! O filme é realmente muito inspirador. Eu saí do cinema emocionada e, claro, não consegui segurar as lágrimas por várias vezes.
      Verdade! Preciso mesmo ver Faroeste Caboclo! Assim que eu conseguir, assisto esse também!
      O mais louco de tudo foi que logo após lançarem os dois filmes baseados em Renato Russo, o Brasil foi às ruas. A vida realmente tem os seus mistérios.
      Beijos,
      Pri

      PS: Sim!!! Até eu mesma sinto saudade de escrever mais por aqui!

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