Maria vai, cada vez mais, com as outras

        Nunca o ser humano viveu tão rodeado de informações e, inevitavelmente, de diferentes opiniões como na contemporaneidade. As últimas lotam as atualizações das redes sociais – ferramentas essenciais para esse “boom opinativo”. Somos expostos a incontáveis “eu acho” ao longo de um só dia. São tantos posts que, muitas vezes de forma inconsciente, acabamos perdendo o controle sobre nossa própria opinião. Mas será mesmo que somos seres tão vulneráveis?
O Homo sapiens nasceu para viver em sociedade e isso implica em desejar – e até mesmo lutar – pela sua aceitação e interação social. Necessitamos do calor e da segurança do grupo para relaxarmos e vivermos em paz. É fato, também, que, em geral, não lidamos bem com a pressão. É necessária muita força de vontade e crença nos próprios ideais para não sucumbir ao primeiro ultimato. Dotados de pouca paciência – virtude em extinção – deixamo-nos levar pelos pereceres alheios com uma facilidade muito maior do que imaginamos.
Por outro lado, há o paradoxo de que jamais houve tantos meios para expressarmos aquilo que sentimos e pensamos, ou seja, mostrarmos nossa individualidade. Em momento algum, apenas 140 caracteres significaram – e repercutiram – tanto. Somos livres para dizermos o que bem entendermos, porém criticamos os demais que agem da mesma maneira. A verdade é que estamos perdidos em meio ao turbilhão de novidades – e seus prováveis julgamentos – a que somos ininterruptamente submetidos. Nossas opiniões, e futuras ações, são, muitas vezes, vítimas desse emaranhado de críticas, sendo elas consistentes ou não. 
Escolher um culpado para esse caos de colocações, fator que nos faz confundir qualidades e defeitos, não é o caminho mais correto e benéfico a seguir. Uma vez “respirando” tecnologia, não podemos fugir de tal cenário. A “solução” para, talvez, regressarmos ao nosso eu, onde está guardada a nossa essência, é o autoconhecimento. Livrar-se da inquietação exterior para embarcar nas aventuras interiores. São elas que nos fazem perceber o que gostamos ou não gostamos. Olhar para dentro sempre foi a melhor maneira de enxergar o mundo lá fora.
Fonte: Google

*Este artigo de opinião foi realizado como uma atividade de avaliação na disciplina Língua Portuguesa - CS II 2013/02, ministrada pela professora Valneide Luciane Aspiroz. A matéria integra o currículo do curso de Comunicação Social - Jornalismo, da Universidade de Caxias do Sul.

Comentários

  1. Não raro sem sequer o percebermos, por nossa patética necessidade de aceitação pagamos o alto preço de nada menos do que a liberdade.
    GK

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    1. E é assim mesmo, essa triste realidade a que nos submetemos sem nem ao menos, na maioria das vezes, parar para pensar um segundo sequer sobre isso.
      Resta para nós lutar sempre, na medida do possível, contra essa triste e inevitável necessidade de aceitação.
      Beijos,
      Pri

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