O som ao redor - As revoltas de junho e os ventos conservadores no caminho de Dilma

Por Fernando de Barros e Silva

     A popularidade de Dilma Rousseff está em declínio. Ouvidas em retrospecto, as vaias dirigidas à presidente na tarde de 15 de junho, no estádio Mané Garrincha, em Brasília, soam quase como um hino de abertura, uma espécie de trilha sonora para as revoltas que já então ganhavam força pelo país.
       Àquela altura, ainda não estava clara a conexão entre o protesto ruidoso da elite branca que chegou a pagar 300 reais para ver o Brasil derrotar o Japão e a onda de insatisfação que se espraiava pelas cidades, tendo como epicentro a atuação do Movimento Passe Livre em São Paulo – tudo por causa de 20 centavos.
       Quarenta e oito horas depois que Joseph Blatter cobrou, em portunhol canhestro, “respecto e fair play” das arquibancadas na capital, foi como se a vaia ecoasse pelos quatro cantos do país: mais de 250 mil pessoas saíram de casa para protestar. Todos os políticos acordaram menores do que tinham ido dormir na véspera, mas quem entrava no olho do furacão com a nacionalização da revolta era a presidente da República. Não foi bem Dilma, “a presidenta”, quem passou ao centro do tiro ao alvo, mas a chefe do Executivo, a figura que encarna o poder e está à frente do sistema político contra o qual as pessoas decidiram investir.
       Surgiram, então, o clamor antipartidário, o fervor nacionalista, o pessoal do “gigante que acordou” e que é “brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, sem ou com violência. Todos durante algum tempo misturados e protegidos sob o guarda-chuva aberto pelo MPL.

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Fonte: http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-82/chegada/o-som-ao-redor

Comentários

  1. Como já se disse, "nada mais parecido com um conservador do que um liberal no poder".
    GK

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    1. Uau! Adorei a frase, Gugu!
      Ótima para reflexão deste momento que o Brasil vive!
      Obrigada!
      Pri

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