Analógico X Digital


A minha geração está perdida. Ok, não posso falar por todos eles, mas falo por mim. Eu e toda a galera que nasceu entre o final da década de 1980 e o início dos anos 1990 viveu parte da vida de forma analógica e, hoje, vive a vida digital. E ainda tem tanta novidade por vir... O fato é que entramos na escola em meio a brincadeiras como pega-pega e saímos com celular, câmera digital e perfil no Orkut. Entramos na faculdade escrevendo SMS e saímos mandando Whatsapp, postando foto no Instagram, Facebook, Twitter e etc etc etc.

Pelo menos para mim, foi tudo muito rápido. Quando vi, o computador passou de uma aula de informática por semana para horas e horas na frente da tela. O celular que servia quase que exclusivamente para fazer ligações virou um smartphone que possui tantas funções que nem dá tempo de descobrir tudo antes que ele estrague. Mais impactante ainda é se adaptar a tudo isso de um dia para outro, recebendo esse volume gigantesco de informação e estímulo sem parar para pensar. Nós compramos, nós consumimos, nós lemos, nós postamos, nós estamos em todas as redes sociais... E a saúde mental no meio de tudo isso? E a emocional?

A geração dos meus pais foi ensinada para trabalhar para ganhar dinheiro, comprar uma casa, ter um carro e construir uma família. Realização pessoal não combinava com as oito horas diárias. E tudo bem. A geração dos meus filhos - tomara! - trabalhará por amor e também por dinheiro, porque dele não conseguiremos nos livrar. Eu desejo que, daqui a 20 anos, não sejam mais necessários os textos de autoajuda tão disseminados que se resumem em uma frase: "Faça o que você ama". A minha geração está no limbo, entre as duas: de um lado, foi ensinada e sente a pressão da família pela tradição e, por outro, sente o ímpeto de seguir o coração e apostar naquilo que faz o coração vibrar. Se ficarmos ricos, ótimo. Se não, tudo bem. Mas quem disse que é fácil descer do muro e escolher um lado em definitivo?

Em meio a tudo isso, elas, as nossas já indispensáveis redes sociais. Nós estamos longe de saber a influência delas nas nossas emoções. Confesso ter um pouco de medo de saber. É uma super exposição misturada com inveja-de-amigos-e-inimigos misturada com a obrigação de seja-feliz-bonito-rico-apaixonado o tempo inteiro. Temos que ter opinião. Temos que lutar contra ou favor de tudo. Temos que nos impor. Não é fácil. Para mim, pelo menos, não é fácil. Não está sendo fácil. Às vezes, tudo parece apenas uma grande confusão. E eu quero um pouco de calma entre o analógico e o digital. 

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre!

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