And the Emmy goes to...


Devo ser uma das pouquíssimas pessoas da minha idade que não assina Netflix. Está nos meus planos, mas ainda não me rendi à gigante do streaming. Mais por não ter uma TV só para mim do que pelo preço da assinatura. E devo confidenciar que não sou a maior aficionada por séries... Reluto um pouco em assistir o-que-todo-mundo-está-assistindo. Se de cada cinco cenas, quatro e meia conterem violência, estou fora. Não faz meu tipo. E se o enredo foca em criaturas horrendas, também estou fora. Gosto de vida real. Na ficção. Tipo Girlboss e Masters of Sex. Ou House e Friends.

Na minha incursão pelo Youtube nos últimos tempos, deparei-me com o canal da MariMoon e o vídeo no qual ela fala sobre Big Little Lies. É essa que vou assistir, pensei. Já comentei aqui que sou um tanto quanto influenciável, não? Ainda bem, nesse caso. Adianto a sinopse para quem nunca ouviu falar: a série conta a história de três mães que se aproximam quando seus filhos pequenos passam a estudar juntos. Elas levam vidas aparentemente perfeitas... Aparentemente, porque tudo começa com a cena de um assassinato. Alguém morreu e alguém matou. A cada episódio, sete no total, vamos nos aproximando de saber quem fez o quê. Mas não se engane: Big Little Lies vai muito além.

Gosto de assistir séries "reais" porque me identifico com elas. Não é óbvio? Preciso me identificar para me deixar cativar. E Big Little Lies tem muito disso. Em cada personagem, em cada uma delas, eu me vi. E vi minhas amigas, minhas irmãs, minha mãe. Não vivo em uma mansão de frente para o mar, mas o medo de fazer a escolha errada é o mesmo que a personagem sente. Ainda não tenho filhos, mas sei que quando os tiver, ainda serei mulher, além de mãe. Não sofri abusos físicos, mas todas nós sofremos diferentes abusos e precisamos aprender a lidar com eles. Não é fácil. Se não estamos sozinhas, porém, o peso nas costas diminui.

O final é surpreendente. Eu fiquei olhando para a tela com uma cara de OHHH MYYY GOOOD. Chocante e aconchegante. As cenas finais são lindas. Emocionalmente, lindas. Não sei se a pegada feminista da série é (também) uma jogada de marketing em tempos de árdua luta contra o sexismo, mas sempre é tempo de falar sobre nós, mulheres. Sobre nossos sonhos, nossos medos, nossas fragilidades, nossos traumas, nossos amores, nossos desejos. Sempre é hora e lugar de fazer ouvir as nossas vozes. E de nos darmos as mãos, mulheres. Até (e ainda mais!) em cima de um palco, para recebermos estatuetas. Porque o Emmy, meus amigos, é nosso!

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre! 

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