Te peço desculpas


É como se fosse um "defeito de fábrica", sobre o qual me dei conta há pouquíssimo tempo. Eu sou um ser humano com uma grande dificuldade em pedir desculpas. O que para outras pessoas pode ser algo trivial, para mim é de um esforço gigantesco. Se eu parar para pensar... Abrir a boca e formar palavras é tão simples. Sei fazer isso desde pequena. Agora, dependendo o que tiver que ser dito, parece que precisa nascer láááá do fundo do meu ser, passar pelo cérebro, descer para o coração, se formar nas cordas vocais e, só então, sair com todas as letras da minha boca. Com a expressão "me desculpe" é assim.

O pior é que eu passei mais de um quarto de século sem saber dessa minha particularidade. Ok, eu desconfiava. Porém, admitir os defeitos não é a tarefa mais fácil do mundo. Às vezes, o melhor mesmo é ouvir da boca dos outros. Ou é o único jeito que existe. Quem me fez esse favor (sem ironia), foi a minha irmã mais velha. Surgiu a partir de uma tarefa de um curso de autoconhecimento que decidi fazer há pouco tempo, na qual precisava do feedback de três pessoas próximas sobre algumas das minhas características marcantes. Boas e ruins. Dali, veio o diagnóstico. Claro, claríssimo.

Não é que... Na minha vida, sinto que tudo acontece na hora certa, no momento exato. Desde as pessoas que cruzam o meu caminho até o trovão que me acorda no meio da noite. Com a história de pedir perdão, não foi diferente. Passados alguns dias após a revelação, um episódio caótico e doloroso fez com que eu sentisse uma necessidade de pedir desculpas que eu nunca havia sentido. Uma sensação no meu peito parecida com falta de ar. Lembro-me de perceber claramente que eu precisava mudar e que pedir desculpas não é algo para adiar. E se eu morrer amanhã? E se minha mãe, meu pai, minhas irmãs morrerem amanhã?

Consegui falar as "palavras mágicas". Foi libertador. E fiz de novo. E de novo. Ainda falta pedir muitas desculpas, mas os primeiros passos já dei. Nem é tão difícil assim. Respirar fundo e ir. Sem pensar muito, porque a mente pode ser traiçoeira. O insight mais incrível veio depois: o fato de pedir desculpas aos outros é o único jeito de alcançar a minha própria cura. Quando me liberto desse meu orgulho, posso olhar para o meu próprio ser com mais amor. A dificuldade que sinto em pedir desculpas aos outros se aplica a mim mesma. Se não reconheço onde errei com os outros, também não reconheço onde errei comigo. E aí não evoluo. Então... Me desculpe, Pri?

Sim, eu te perdoo. 

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre!

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