Não jogo na loteria


Eu não aposto na loteria. Às vezes, na Mega da Virada. Mas não é todo réveillon. Esse último eu pulei. Sempre que vou à lotérica, é para pagar contas. Chego, coloco-me na fila - porque sempre tem fila nesses benditos estabelecimentos - e observo aquele mundaréu de gente que vai fazer uma "fézinha". Pessoas de tudo quanto é tipo. Jogam na Mega, na Loto, na Quina e etc (o meu conhecimento de jogos termina aqui). A desculpa que dou é que prefiro comprar um pão de queijo com aquele troco. Ou um brigadeiro. Ou balas de doce de leite que ficam perto dos caixas. Qualquer coisa que for de comer e fizer meu estômago e coração felizes.

Claro que não é só por isso. Minha resistência a apostas deve ter um motivo maior. Já passou pela minha cabeça alguns deles. Quem sabe eu tenha medo de todo aquele montante me desviar de quem sou (e do meu processo de descoberta de quem sou). Eu temo que todos aqueles milhões de reais seja demais para mim. Não se trata de aversão ao dinheiro. Eu gosto de dinheiro. Eu quero dinheiro. O bastante (e mais um pouco) para ter uma vida confortável - e divertida. Só que dinheiro é energia. Não é aquele papel que tocamos. Dinheiro tem que vir em abundância, sim. Mas que venha com fartura de propósito, prazer, compartilhamento. Que venha com sentido.

Não é também que eu não acredite na sorte. Eu confio nela e inclusive acredito que eu tenho sorte. Ela está do meu lado e caminha junto com o meu otimismo. Porém, o fator decisivo é para quais setores da minha vida focalizo a minha sorte. Talvez o "problema" seja que eu leve aquele velho ditado "Sorte no amor, azar no jogo" a sério demais. Preparem-se que lá vem uma confissão. Quando estou jogando, independente do jogo, lá no fundo eu torço para perder. Pode ser bingo, pife, cavalinhos na festa junina ou qualquer outro, eu desejo secretamente que eu saia como perdedora. Não tem problema. Saio com sorte no amor e isso que importa.

Nunca fui uma pessoa competidora. Entre isso ser uma qualidade ou um defeito, prefiro pensar que se encaixa na opção 1. Já me culpei por isso. A sociedade capitalista nos induz à competitividade a todo instante. Preciso sempre estar à frente dos outros. No número de curtidas, seguidores e comentários. Preciso mesmo? Qual é o prêmio? Vou cruzar a linha de chegada e qual será o troféu? Uma autoestima de mentira? Milhares de amigos no Facebook e nenhum do meu lado quando preciso? Eu vou na minha velocidade, pouco a pouco, até chegar ao meu objetivo. Olharei para trás e verei, com orgulho, quem eu venci: eu mesma. Aí quem sabe eu comece a jogar na loteria.

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre!

Comentários

  1. O melhor de se crer que sorte no jogo é azar no amor eis em tanto embutir-se uma outra crença, esta muito mais importante, qual seja, a de que o amor definitivamente não é um jogo.
    GK

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Verdade, Gugu!!! Muito bem lembrado! :)
      Obrigada pelo comentário e visita de sempre!
      Um abraço!

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas