Não sou um robô




Será mesmo? Faço essa pergunta para mim mesma. Claro que literalmente falando eu posso responder de forma tranquila. Sem pensar, no automático. Agora, se eu olhar por um viés subjetivo... Aí complica. Porque não ser um robô, por mais paradoxal que possa parecer, é mais difícil do que se imagina. Afinal, desde que somos criancinhas que só querem brincar e explorar o mundo entramos em um ambiente em que temos que ser todos iguais. Desde lá, aprende-se que é melhor não ser diferente porque isso pode dar problema. Os professores não vão gostar, nem os pais, ninguém.

Até que ser um robô tornou-se natural. Somos máquinas que trabalham em algo que odeiam, compram coisas que não precisam, comem comida que não é comida, assistem noticiários sangrentos que vendem a cultura do medo, rezam uma reza que não toca a alma, tomam remédios para conseguir dormir e outros para se manter acordados, relacionam-se na base do medo de ficar sozinho e sobrevivem acreditando que vivem. Porque só máquinas podem achar que isso está certo. Nas vezes em que fui uma robô (não sei se o termo aceita o artigo feminino, mas eu digo que sim e pronto), o resultado foi um desastre.

O problema é que um robô não tem consciência. Ele não pensa nas consequências daquilo que ele faz. Robô olha só para o seu próprio umbigo. Que triste... O mais grave, porém, é ele passar a enxergar os outros como robôs. Porque eu só enxergo aquilo que eu sou. Robô trata os demais como se fossem aparelhos, muitas vezes descartáveis. Aqueles que ainda sentem decidem se proteger de tanta dor e a saída é virar robô também. E, assim, a população de robôs cresce a cada dia. Mas calma! Felizmente, ainda existe um ser humano em cada dos 7.611.720.931 habitantes deste planeta Terra. Eu garanto. Lá no fundindo.

É hora de se reprogramar. Mexer nos botões internos e mudar a configuração. Ativar o "modo humano". Mesmo que para os outros pareça que você "está com defeito", deixe que digam. Eles não sabem o que se passa nos seus programas internos. Olhe para dentro e limpe o que precisa ser limpo. Livre-se de peças que não são mais necessárias. Acredite, há várias. Insira outras que, de fato, farão com que tudo funcione melhor. Todos os dias, esteja atento a possíveis falhas. Tudo bem, elas fazem parte. Respire fundo. E solte o ar. Feito isso, pode confirmar com orgulho: Não sou um robô.

*Toda sexta-feira, às 10h, tem crônica nova aqui no blog. Gostou? Deixe seu comentário! E volte sempre!

Comentários

  1. Quando vc começa a perceber-se um robô, começa a deixar de ser. A principal característica desses tantos bilhões de robôs humanos é que eles, tristemente, nem sequer imaginam que o são.
    GK

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    Respostas
    1. Verdade, Gugu... Tanto potencial e amor desperdiçados! Está na hora de mudar isso e tudo começa dentro de nós. Coragem!
      Valeu pela visita de sempre! :)

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